A pulso

Hoje, não
Hoje, quedo-me no fundo

Fosso de silêncio
Sou quietude
Sangro, gemo, choro

Onda a subir aos olhos

Aqui onde se esconde o medo

Segura
Amanhã

Hoje, sim
Hoje, subo à luz
Sou movimento
Esgadanho-me, arrasto-me, esfarrapo-me

Sigo o impulso que aspira à luz

Companhia, afago, uma voz, uma mão sonhada

Temo
                                                                              Caio
Amanhã

Hoje, não
Saboto-me, ludibrio-me,
Amputo-me de coragem
Quedo-me neste sarcófago

Retorno ao Verbo

Punho de aço, flor de metal

Aqui, onde não há cheiro de gente

Durmo serena sobre o frio, a água, a sombra
Amanhã


Hoje, sim
Fome voraz de humanidade
Recolho vísceras, cartilagens
Brado à luz

Lembro as aves, os suspiros

O galope no peito de beijos postiços
Temo
                                                                               Caio

Amanhã

 

Não. Hoje.

Subo de olhos cegos, tateio cicatrizes lamacentas

Carrego restos de carne e de alma

Lodos de demência

Fiapos de outrem

Áspera e dura escalada

Temo

                                                                                  Caio?

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